• Francisca Leite Muraca

O melhor ano de sua carreira profissional

É comum os profissionais em busca do sucesso, adiarem a felicidade.

E o que seria a felicidade?


Segundo Daniel Gilbert, professor de psicologia da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que estuda a felicidade há mais de duas décadas, conceitua a sensação de bem-estar: “É difícil dizer o que é, mas sei quando eu a vejo. É simplesmente se sentir bem”.


Em suas pesquisas e livros sobre o tema, Gilbert mostra o que teimamos em não perceber no dia-a-dia: a felicidade não é uma sensação eterna, é um estado de êxtase, daqueles que se atingem nos momentos de extremo prazer.


Estar feliz ou triste é um ir e vir. Apesar de difíceis, os processos de infelicidade também funcionam como um momento para amadurecer, pensar e repensar as atitudes, os projetos.


Não há respostas concretas, há pistas do que leva até ela. O filósofo grego Aristóteles afirmava, há mais de dois mil anos, que a felicidade se atinge pelo exercício da virtude e não da posse.


Segundo o psicólogo israelita Daniel Kahneman, da Universidade Princeton, nos Estados Unidos, passamos a julgar nossa felicidade não pela situação atual, mas pela perspectiva de melhorar de vida no futuro.


A conclusão de Kahneman faz parte de um estudo feito nos últimos anos sobre o modo de viver dos americanos. Há meio século, o sonho de uma família de classe média era ter a casa própria, um carro na garagem e pelo menos um filho na universidade. Os dados mostram que o sonho americano se transformou em realidade. E, apesar de alcançar seus objetivos, esse povo não se considera satisfeito ou feliz.


A felicidade não é permanente porque não dá para estar bem o tempo todo. Mas também não precisa ser uma eterna projeção.


No ultimo dia 20 de julho o site Metrópole trouxe a manchete: “Felicidade será nova disciplina da UnB a partir do próximo semestre”.


A Universidade de Brasília seguirá a tendência mundial.


Diz a matéria: “A disciplina inusitada já é uma realidade mundo afora, o curso é o mais popular nas Universidades Yale e Harvad. Inspirada nessas experiências de sucesso, a matéria em Brasília será baseada em encontros dialogados, atividades, individuais e em grupo, leituras e construção coletiva de textos e outras vivencias”[1]


O site da revista Health listou as 10 (dez) profissões que são mais propensas que seus profissionais tenham depressão, ocasionada por estilos de vida incomuns e estressantes.

Para a conselheira de saúde mental e PhD, Deborah Legge, há certos aspectos que apontam que qualquer trabalho pode contribuir para exacerbar a depressão. “Porém, pessoas que trabalham com cobranças e tensão têm maiores chances de desenvolver a doença do que, por exemplo, pessoas que trabalham com gestão. Às vezes, os profissionais não se dão conta que estão doentes e que precisam de ajuda”, disse Legge.[2]


Entre as 10 (dez) profissões mais estressantes estão os Médicos, enfermeiros, terapeutas, fisioterapeutas e outros profissionais da área da saúde. Essas carreiras exigem longas e cansativas horas de trabalho e nos mais improváveis horários, tudo com muita atenção e cuidado.


Além de atingir o físico, esses profissionais estão constantemente colocados em situações extremamente emotivas, em que vidas de outras pessoas estão em suas mãos, literalmente.


No mundo do Direito, a depressão também se faz presente, desde os bancos acadêmicos até o mundo profissional no seu mais elevado nível.


A começar pelos estudantes de Direito que, além da perda de referências mais estáveis (por exemplo, religião), vêem suas perspectivas profissionais sem grande ânimo. Os concursos tornaram-se extremamente difíceis, e a concorrência na advocacia tornou-se maior. Registra reportagem que o Brasil tem 1(um) milhão de advogados. Os dados são do cadastro nacional de profissionais mantido pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil[3].


Dito isso, voltemos à nossa carreira profissional. Baseado em estudos todos os dias estamos “felizes”, conseqüentemente realizados e, portanto vivendo o melhor ano da carreira profissional e de nossas vidas.


"Felicidade não é o que acontece na nossa vida, mas como nós elaboramos esses acontecimentos. A diferença entre o sábio e o ignorante é que o primeiro sabe aproveitar suas dificuldades para evoluir, enquanto o segundo se sente vítima de seus problemas" (Roberto Shinyashiki)


Quando você formou-se na universidade, recebeu com louvor o seu diploma, foi um momento feliz.


Quando você recebeu a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil, como advogado, foi extasiante.


Quando recebeu o registro do Conselho Regional de Medicina, como médico, após duros anos de estudo e residência, foi um momento feliz.


Mas..., e durante?!?... Durante os estudos, no dia a dia com o paciente, nas atividades corriqueiras?


Estudos garantem que a felicidade está nas pequenas coisas, na liberdade, na gratidão, no cuidado com o outro.


Parando para pensar, gostaria de propor uma reflexão: “vamos ser felizes agora e hoje”.

Como? Simples: respeitando as diferenças, respeitando a autonomia de vontade do outro e nossa, valorizando as relações e sendo gratos por tudo.


"A felicidade não é algo que sucede, nem parece depender dos acontecimentos externos, mas mais de como os interpretamos (...) as pessoas que sabem controlar a sua experiência interna são capazes de determinar a qualidade das suas vidas." (Mihaly Csikszentmihaly)


Para atingir a felicidade na carreira é primordial gerir e administrar nosso dia a dia. E para melhorar a performance, estudos seguros garantem que deve ser focar em:


· Autoconfiança: expandindo a zona de conforto e ousando com responsabilidade

· Relações Humanas: fortalecendo relações e administrando conflitos com eficácia

· Comunicação: expressando-se com maior objetividade.

· Gerenciamento de estresse: obtendo equilíbrio e lidando com situações de pressão com eficácia.


“A preocupação esgota nossa energia, deturpa nossos sentimentos e enfraquece qualquer ambição”, diz Dale Carnegie


Com relação à parte prática e de gestão pessoal, do consultório/escritório:


1. Para médicos e advogados é rigorosamente importante manter os cadastros atualizados junto aos seus conselhos de classe.

2. Toda especialidade deve ser registrada.

3. A situação com o fisco também deve ter um capitulo de gestão a parte para as entregas de declaração de imposto de renda e recolhimentos de impostos e afins.

4. A previdência não pode ser descuidada, devendo o profissional, alem de recolher/pagar uma previdência, seja ela privada ou não, deve ser feito um estudo detalhado sobre a aposentadoria.


Ainda somos os mesmos seres humanos baseados por emoções. Para sermos felizes e entregarmos cuidado, como saúde e garantias fundamentais, não podemos fazer a mesma coisa, do mesmo jeito. E para isso são necessários, respeito, confiança e comprometimento.


Podemos pensar em respeito como tempo e individualização. Confiança como transparência e eficiência e comprometimento com atitude de solucionar problemas.

Assim, todos poderão ser mais felizes!

[1] https://metropoles.com/distrito-federal/educacao-df/felicidade-sera-nova-disciplina-da-unb-a-partir-do-proximo-semestre


[2] https://www.anamt.org.br/portal/2015/11/18/as-10-carreiras-que-mais-causam-depressao/


[3] https://www.conjur.com.br/2017-ago-20/segunda-leitura-mal-nossos-dias-depressao-poe-risco-carreiras-juridicas

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